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riscos_e_rabiscos

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Chuva ao entardecer.

 Uma chuva forte acompanhada de trovoada ao fim da tarde, foi o suficiente para, em alguns minutos, fazer a água chegar ao nível do passeio... 

 

Aqui temos meio focinho do Bóbi que estava comigo à janela... 

 

Uns minutos de chuva foram o suficiente para formar um rio no meio da estrada, apesar das quatro sarjetas limpas que aqui existem.

 

Pérolas Maternais

Enquanto eu arrumava as coisas para ir para a escola:

 

Eu: Mãe, o Bóbi já comeu?

 

Mãe: Quem, o S.(o meu irmão)?

 

Eu: Não, o cão...

 

(Estavam os dois "vestidos" de preto mas um tem duas patas a mais...)

 

{#emotions_dlg.lol}

 

Durante o jantar:

 

Eu: O peixe está salgado...

 

Mãe: Mas eu não meti sal no peixe... só se for do tomate... do concentrado de tomate...

 

Eu: Que concentrado é que usaste?

 

Mãe: O da mimosa!

 

Eu: (a pensar com os meus botões: só se já puseram os bois a dar alguma coisa também... :P)

 

{#emotions_dlg.lol}

O Homem do Talho

Aqui em frente sempre existiu um talho. Esta loja estava destinada a ser o que sempre foi. Vários donos, o mesmo ofício. Parece que até as lojas não fogem ao seu destino.

 

O primeiro dono, o sr. G., esteve anos ali. Eu acordava ao som ritmado e conciso do seu martelo de corte. Mas se isto não me impressionava, o ar do sr. G, fazia-me não gostar dele.

Era um homem grande, daqueles que crescem mais do que a medida, possuidor de uma grossa corrente de ouro que enfeitava o seu pulso direito, mostrava sempre um ar austero, que fazia lembrar aqueles troféus cabeças de touro com que os toureiros tão orgulhosamente enfeitam uma qualquer parede de sua casa.

 

Os anos foram passando, o sr. G. envelhecendo e a qualidade da carne, acompanhando fielmente quem a vendia, começou a ser pouco recomendável. A clientela abrandou e o negócio fraquejou.

Velho e sem freguesia, resolveu ir desfrutar as propriedades que o negócio um dia lhe permitira comprar.

 

E vieram outros e mais outros donos. Até que apareceu o que cá está hoje. A abertura da loja foi um sucesso, quase com honras de estado. Simpatias e balões para todos e um sem mãos a medir que chegassem para a freguesia. Todos lá foram: os que precisavam, os que não precisavam, os que queriam provar, os que queriam cuscar, os que queriam dizer bem e, principalmente, os que queriam dizer mal.

 

E até desta vez o novo dono estava destinado ao karma que paira sobre esta loja. A freguesia migrou para outros sítios e a única que ainda se mantém são os ciganos.

 

O dono passa os dias à porta com o seu bigode farfalhudo à Chalana a fumar, a trocar dois dedos de conversa com alguém que lhe pare à porta, e a contar os minutos para fechar a loja.

A sua bata está sempre suja, talvez para lembrar que ainda resiste estoicamente à falta de freguesia. E como um homem nunca perde a dignidade nem a vaidade, mantém a sua carrinha bêemerdabliu orgulhosamente, como se fosse uma extensão do seu próprio corpo à qual dedica toda a atenção e dedicação.

 

Existe Karma e pré-destinação? Talvez. Mas que há coisas que nos deixam a pensar…

 

Pais Chatos, bah!

Desculpem-me mas há gente que não se enxerga, designadamente papás de meninos meus. Se fossem coçar a micose, faziam algo mais útil.

 

Estou eu a dar uma aula muito sugadita e feliz e contente, quando me bate uma auxiliar à porta a dizer que a mãe-chata do batatinhas-quentes-na-boca estava ao telefone a perguntar se eu a podia receber hoje. É que me tinha mandado um mail e eu não tinha respondido.

 

Epá fiquei logo com os pêlos eriçados e com a mostarda a chegar ao nariz. Afinal, ontem tinha estado a ver os mails ao fim da noite e o único que lá estava era aquele em que me dizia que o filho me iria dizer porque não fez os TPCs. Indaguei o miúdo acerca disto, que olhou para mim muito espantado, completamente a leste do assunto. Ok. Além de chata ainda parece ter o epíteto de Pinóquia… I guess

 

Ninguém grama a mãe-chata lá no colégio porque ela é mesmo chata. É daquelas que vai ter connosco para nos fazer perder o nosso precioso tempo porque não percebeu se “aquela letra era um A ou um O” e não conseguia perceber pelo contexto o que era. Estão a ver o género?

 

Mandei logo recado a dizer que não a poderia receber depois das aulas. Alguém me paga para isso? Não. É um favor que faço e só se me apetecer. Alguém me perguntou se eu me sentia em condições? Não. Estou com uma constipação enorme e com febre. A coisa que mais me apetecia era chegar a casa. Existe mais alguma forma de entrar em contacto comigo, sem me fazer perder tempo e aturar chachadas? Há. O mail. E posso estar a dar aulas e a consultar e responder a mails ao mesmo tempo? Não. Ou faço uma coisa, ou faço outra. Por uma questão de profissionalismo. Por uma questão de respeito aos meus alunos que ali estão para aprender e não para me ver a responder a mails dos pais.

 

A desgraçada da auxiliar teve de subir não sei quantas vezes as escadas para me vir perguntar quando a poderia receber. E eu reafirmei o que já tinha dito: hoje não a iria receber e esta semana também não. Como o batatinhas-quentes-na-boca vai ter teste esta semana, a mãe-chata deve estar com o “cuzinho” apertado (desculpem-me a expressão). É que o seu precioso menino-ai-jesus não tem feito os TPCs da minha disciplina e sempre que ele não os faz, recebe um mail meu. E três TPCs seguidos por fazer, é dose. Ainda mais se eles estão publicados online e é só ir lá ver. Já que gosta tanto de usar as novas tecnologias…

 

E começo a pensar se a mãe-chata não será mentirosa compulsiva. Nem imaginam o que ela disse do filho, o melhor claro, e que o menino na escola onde estava não falava e se portava muito bem (nas minhas aulas, se tivesse duas bocas para falar mais e se eu fosse surda, seria o aluno mais feliz do mundo). O pior é que a mentira tem perna curta e o director e a professora leram o relatório da outra escola: afinal o menino é diametralmente oposto ao que ela dizia ser na outra escola!

 

Entretanto, na secretaria continuavam a insistir que marcasse um dia para a atender a gaja, quase obrigada, quase com uma faca ao pescoço. Olha que bardam€rd@! Cheguei ao ponto de ter que dizer que estava a dar formação e que não a podiam receber depois das aulas. Anyway, mandei recado a dizer que depois lhe mandava um mail a dizer quando a poderia receber. Agora pergunto-vos eu: acham que esta mãe merece que eu desperdice o meu precioso tempo para ouvir as suas lamúrias? O que é que vocês fariam?

Isto só a mim! :S

Costumo apanhar, no autocarro, uma senhora africana com a sua filha que saiem duas paragens antes de mim. A miúda é muito gira e ambas são muito simpáticas. Boas pessoas. Como têm o cabelo frisado, costumam ter as trancinhas e aqueles penteados africanos.

 

Ontem, sentaram-se à minha frente no autocarro. Subitamente começo a sentir um cheiro estranho - lembram-se que tenho um faro muito apurado, não lembram? - e tentei percebre de que era e de onde vinha. Observei o ambiente em volta, aspirei o ar e dava-me a sensação de que o cheiro vinha da frante. Tentei Decifrar do que poderia ser aquele cheiro. Até que... descobri!

 

Então não é que a senhora tinha um rabo de cavalo a prender as trancinhas e a segurá-las tinha uma meia?!?!? Ah pois é! E daí vinha um cheirinho a cheirete a chulé que nem vos digo, nem vos conto! Eu vinha a contar os segundos para chegar à paragem onde ela saia... É que o cheiro até agoniava!

 

Agora digam lá, estas coisas só me acontecem a mim, certo? {#emotions_dlg.blushed}

 

A culpa é da Iris!

Se eu apanho o gajo da tv/netcabo que anda aqui a mexer nos cabos para instalar a fibra óptica, a tal gaja, a Iris... juro que lhe espeto um limão na boca e um raminho de salsa no rabo e vai ao forno a tostar! 

Não se admite! {#emotions_dlg.evil}

Hoje se tive net 5 minutos seguidos foi muito!

Alguém quer vir cá comer uma febrazinha?{#emotions_dlg.angry}

 

Pepper no meio do granizo (take 2)

Aproveitei a pausa em que estava a chover menos e saí da escola. Mesmo na altura em que estava a passar na paragem do autocarros, passa aquele que nunca apanho por demorar mais tempo. Mas tendo em conta a chuvada que tinha caído - que a esta altura eu ainda não sabia a sua real dimensão - resolvi apanhar para ver se me safava ao mau tempo.

 

Como sempre, a esta hora este autocarro vem à pinha. Eu entrei, segurei-me a concheguei-me onde pude. Duas paragens mais abaixo, começámos a apanhar uma fila "parada". Estranho. Primeiro pensámos que tivesse sido algum acidente ou carro avariado mas mais à frente percebemos que a circulação estava condicionada pela água na estrada que estava ao nível dos separadores centrais da estrada.

 

Ao chegarmos perto de uma estação dos combóios, começámos a ver as linhas completamente submersas e o pessoal começou a dizer, receoso, que não haveria combóios. A passo de caracol, o autocarro começou a andar e começámos a ver os passeios todos brancos do granizo. Mais à frente eram as avenidas principais com gelo de um passeio ao outro, as folhas das árvores todas partidas no chão e os carros cobertos de folhas e granizo. Em certas zonas, os carros estavam entalados no granizo, nem se viam as rodas. A circulação estava mesmo parada.

 

Estive duas horas em pé nos autocarros, aos solavancos. Já não aguentava mais os pés e a coluna. Ainda por cima tinha a mala pesadíssima com as coisas da escola. Estava rezar a todos os santinhos para chegar a casa o mais rápido possível ou o mais provável era desmaiar ali mesmo. Ainda tirei algumas fotos com o telemóvel de algumas partes que consegui mas a visão de onde eu estava não era das melhores.

 

Quando finalmente chego a casa, da minha mãe, recebo uma chamada da minha vizinha do lado "venha depressa, o sotão tem água pelos joelhos... a minha casa está toda inundada e a sua deve estar igual". Respondi-lhe que daí a dez minutos já lá estaria pois era o tempo do N. me apanhar de carro.

 

Assim que estaciono na parte de trás do meu prédio vejo um "rio" a cair do tecto. Eu nem tinha percebido que o "barulhão" que estava a ouvir era a água a cair, pensei que fosse algum miúdo a bater com qualquer coisa.

Subi as escadas a voar até ao terceiro andar, abri a porta e fui inspeccionar a casa. Cozinha encharcada, tecto da casa-de-banho a pingar e mais algumas pequenas humidades mas nada de especial. Dirijo-me ao sótão. Estavam todos a tirar a água e eu juntei-me ao grupo. Eram baldes e baldes de água a deitar fora. Os "berlindes" do granizo fizeram placa, não deixaram passar a água que caiu posteriormente e esta entrou para o sotão. Conseguimos limpar tudo e desfazer o granizo.

 

Em resumo, a minha vizinha ficou com a roupa e os sapatos que estavam no seu quarto todos molhados, o quarto do bebé também com água e eu com cozinha e casa-de-banho a "pingar".

Só vos digo que, no sábado tinha um cansaço tão grande, mas tão grande em cima, que fui às compras e nem conseguia pensar no que precisava. Estava mesmo em estadp de "zombie".

 

Agora digam lá, não teria sido melhor estar no casamento do William e da Kate a comer um belo manjar?!? E até dava muito menos trabalho...!

 

 

Pepper no meio do granizo (take 1)

Sexta-feira, mais um dia de aulas, mais um final de semana. Comecei o meu dia normalmente, com as aulas dos meus pequeninos. Qundo chegou a altura dos maiorzitos, vejo uma grande “desarrumação” no recreio interior. Vejo pessoas estranhas à escola, vejo uma mesa montada no meio da sala, com toalha, pratos, talheres e copos. Mas para que seria aquilo?

 

Levei as minhas coisas para a sala dos professores onde tencionava trabalhar para adiantar algumas tarefas, e foi então que descobri que iria haver teatro! Senti-me a boiar num mar sem rumo…

 

Chegou à hora do teatro e eu fui perguntar à colegas que estavam a sair da sala se sabiam do espectáculo. Ninguém sabia, o director tinha-se esquecido de avisar! Humpf!

 

Acompanhei as crianças até ao espaço de recreio (o teatro dividia-se entre dois locais diferentes do recreio) e acomodámo-nos para ver a apresentação sobre o 25 de Abril.

 

Enquanto decorria a apresentação começa a chover e a trovejar com toda a intensidade. Já tinha miúdos a dizer-me que estavam com medo da trovoada. Eu própria tenho pavor mas, nestas ocasiões, está tudo muito bem controladinho, e acalmo as crianças. E o que valeu é que, apesar do teatro ser bastante fraquinho, tinha algumas partes de risota completa, o que causou alguns momentos de descompressão para os miúdos.

 

Assim que termina o teatro, sente-se um repentino arrefecimento de temperatura e começa a cair granizo. É claro que foi uma festa para os miúdos! Comecei logo a ouvir “está a nevar”! E apesar de estarmos num recreio coberto, com a força com que o granizo caia, algumas pedrinhas entraram para o espaço de recreio. Escusado será dizer que os miúdos concentraram-se aos magotes junto das pedrinhas para as apanharem. Aquele contacto com as pedrinhas de gelo – que pareciam berlindes – soube-lhes melhor do que pizza e gelado.

 

Fui para a sala dar aulas, e o fenómeno atmosférico adensa-se. Os miúdos começam a ficar brancos e apreensivos. Era cada trovão e relâmpago que até nos fazia dar saltos. É claro que a concentração dos miúdos estava na janela e não no que eu lhe dizia.

 

Tentei mais uma vez criar um ponto de descompressão e lembrei-me de lhes dizer que, para sabermos a que distância está a trovoada, temos de contar os segundos entre o relâmpago e o trovão, sendo que um segundo equivale a um kilómetro. Nem vale a pena dizer que “estraguei” o resto da aula, não é? Fique com a turma toda em suspensão, à espera de ver os relâmpagos para contar os segundos até ao trovão aparecer e ver a que distância estava!

 

Com o final da aula, a tempestade também acalmou e eu aproveitei para sair da escola o mais rápido possível. Mas sabia eu o que me esperava…

 

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